O Brasil fechou 2025 com um número que já era esperado por quem acompanha a saúde do trabalhador, mas nem por isso deixa de impressionar. Segundo levantamento do g1 com dados do Ministério da Previdência Social, o país concedeu 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais no ano passado, um crescimento de 15% em relação a 2024 e o maior patamar da série histórica pela segunda vez em dez anos.

Ansiedade e depressão lideram essa lista. Foram 166.489 licenças por transtornos ansiosos e 126.608 por episódios depressivos, o suficiente para colocar as duas condições, somadas, como a segunda maior causa de afastamento do trabalho no país, atrás apenas das doenças da coluna.

O cenário geral também cresceu: foram 4,1 milhões de afastamentos por incapacidade temporária concedidos pelo INSS em 2025, 17,1% a mais do que em 2024. E o custo já é possível de estimar. Considerando a duração média das licenças e o valor médio do benefício, o impacto aos cofres públicos gira em torno de R$ 3,5 bilhões.
Esse número é só a parte visível do problema. Para quem gerencia SST e RH, cada um desses afastamentos também aparece na planilha da empresa, sob a forma de um indicador que poucos gestores monitoram de perto: o FAP.

Como o FAP e o RAT transformam afastamento em custo direto

O RAT (Risco Ambiental do Trabalho) é a alíquota que toda empresa recolhe para financiar benefícios acidentários da Previdência. Ela varia entre 1%, 2% e 3% sobre a folha de pagamento, de acordo com o grau de risco da atividade econômica.
Sobre essa alíquota incide o FAP (Fator Acidentário de Prevenção), um multiplicador individual, calculado por CNPJ, que varia de 0,5000 a 2,0000. Quanto mais afastamentos acidentários uma empresa registra em relação ao seu setor, maior tende a ser o seu FAP, e maior o valor que ela recolhe sobre o RAT. O inverso também vale: empresas com histórico melhor pagam menos. O cálculo considera os dois últimos anos de histórico de acidentalidade e usa como base os benefícios concedidos pelo INSS classificados como acidentários, os famosos B91 a B94:

O ponto que costuma pegar as empresas de surpresa é o NTEP, ou Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário. Por essa regra, se o CID do atestado é estatisticamente comum entre os trabalhadores do mesmo CNAE da empresa, o INSS presume que a doença tem relação com o trabalho, mesmo sem qualquer CAT registrada. Na prática, isso significa que um afastamento por transtorno ansioso ou depressivo pode ser automaticamente classificado como acidentário e entrar direto na conta do FAP, mesmo que a empresa nunca tenha aberto uma comunicação de acidente para aquele caso.
Com o crescimento dos afastamentos por saúde mental relatado pelo g1, esse é exatamente o tipo de indicador que tende a pressionar o FAP das empresas nos próximos ciclos de apuração, com reflexo direto na alíquota que cada uma paga todos os meses.

A NR-1 já exige que os riscos psicossociais entrem no PGR

Desde a Portaria MTE nº 1.419/2024, a NR-1 passou a exigir que as empresas identifiquem, avaliem e controlem os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o mesmo documento que já trata de riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.
Isso significa mapear situações como sobrecarga de metas, jornadas exaustivas, falta de autonomia, conflitos interpessoais, assédio moral com o mesmo rigor técnico que já se aplica a ruído, vibração ou produtos químicos, e prever medidas de controle para cada um desses fatores.
A obrigação está em vigor desde maio de 2025, e o próprio texto normativo estabeleceu um período orientativo até maio de 2026 para as empresas se adequarem. Em junho de 2026, o
Supremo Tribunal Federal suspendeu por 90 dias a aplicação de sanções relacionadas a esses dispositivos da norma, no âmbito da ADPF 1.316. A decisão foi clara em um ponto: o dever de identificar, avaliar e prevenir os riscos psicossociais continua valendo. O que foi suspenso é a aplicação de multas durante esse intervalo, não a obrigação em si.
Ou seja, os dados do g1 e a exigência da NR-1 apontam para a mesma direção. De um lado, a saúde mental já é uma das principais causas de afastamento do país e pressiona diretamente o FAP das empresas. Do outro lado, a legislação já determina que esse risco seja gerenciado de forma estruturada, com ou sem fiscalização ativa no momento.

Telemedicina de Saúde Mental: prevenção antes que o afastamento aconteça.

Se o desafio nasce antes do afastamento, a resposta mais eficiente também precisa começar ali. É essa a lógica por trás da Telemedicina de Saúde Mental da FAP Online: uma solução de gestão completa para atendimento psicológico à distância, com rede própria de profissionais e sigilo médico garantido em cada consulta.
O funcionamento é simples por escolha. O colaborador agenda diretamente com a FAP Online, por telefone, e-mail ou WhatsApp, sem qualquer interferência da empresa contratante. Essa separação entre quem paga pelo serviço e quem tem acesso às informações da consulta é o que garante a confiança necessária para que as pessoas realmente procurem ajuda.
O programa MAHLE Care, da MAHLE, uma das líderes do setor automotivo no Brasil, é um exemplo consolidado dessa abordagem. Todos os colaboradores da companhia contam com atendimento psicológico à distância gratuito, sobre gestão integral da FAP Online. Segundo a Drª Ana Paula Esper, Gerente de Medicina e Saúde Ocupacional para América do Sul da
MAHLE, a parceria “nos possibilitou garantir sigilo dos dados e ética no atendimento” e “foi primordial para promover a saúde emocional dos nossos colaboradores, com cuidado, atenção e prevenção que vai além do trabalho”.
O resultado prático é o que toda área de SST busca: menos afastamentos, mais retenção de talentos e um ambiente onde cuidar da saúde mental deixa de ser tabu e passa a ser parte da rotina.

Gestão de Afastados e Previdência: a resposta para quem já está no meio da crise

Prevenção reduz o volume de casos, mas não elimina os afastamentos que já estão em curso. Para essa frente, a FAP Online oferece Gestão de Afastados e Gestão de Previdência e FAP-RAT, dois módulos pensados para dar visibilidade e controle sobre o que normalmente fica disperso entre planilhas e processos manuais.
Na prática, a solução acompanha cada afastamento do início ao fim: documentação de perícias do INSS, situação do benefício, data de despacho, data limite e todo o histórico por CID e por nexo técnico. Isso permite identificar, por exemplo, se um setor específico concentra afastamentos por saúde mental antes que o problema se espalhe pelo restante da operação.
No módulo de Previdência, a FAP Online atua também na contestação anual do FAP, analisando os benefícios que compõem o cálculo e questionando aqueles que foram enquadrados como acidentários de forma indevida, como afastamentos sem qualquer relação real com o ambiente de trabalho. É um trabalho técnico que pode reduzir o impacto financeiro da sinistralidade sobre a alíquota da empresa, com o mesmo rigor que rege qualquer processo administrativo junto ao INSS.
Juntas, prevenção e gestão previdenciária fecham o ciclo: uma cuida de reduzir a entrada de novos casos, a outra garante que a empresa não pague mais do que deveria pelos casos que já existem.

O próximo passo é entender o cenário da sua empresa

Os números do g1 mostram uma tendência nacional. O que cada empresa precisa saber é como esses números se traduzem no seu próprio FAP, no seu PGR e no seu orçamento. Fale com um consultor da FAP Online e solicite um diagnóstico gratuito da gestão de saúde mental e previdenciária da sua empresa.


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